quarta-feira, 7 de julho de 2010

A formação e a construção do padrão de jogo no Futsal

A formação das equipes de futsal
A construção do padrão de jogo


Durante décadas o futsal (especialmente quando era denominado futebol de salão) viveu em função do talento individual dos atletas sem grandes preocupações quanto a evolução tática.
A natureza muitas vezes estática de algumas posições em quadra, contribui em muito para este quadro, no qual existiam poucos esquemas táticos (2x2, 2x1x1 e 3x1) e a maioria das variações em cima destes esquemas se devia ao talento excepcional de algum atleta do elenco.
O panorama começou a mudar no final da década de 80 do século XX, quando a criação do futsal pela FIFA, estimulou a participação em massa dos países europeus em competições de futsal da referida associação. Como a diferença técnica ante os sul-americanos era sensível a maioria dos "novos" praticantes, começou a estudar taticamente o futsal com base não só em suas equipes, mas também no padrão de jogo adversário.


Com isto surgiram os sistemas 4x0 e 5x0, sendo que o sistema 4x0 foi uma invenção de um técnico brasileiro em ação da liga espanhola de futsal. Já o 5x0 é mais uma variação deste utilizando a figura do goleiro-linha (um goleiro que possui uma habilidade ou dominio dos fundamentos dos jogadores de linha em bom nivel).

As evoluções táticas decorrem em sua maioria de observações ou inovações táticas de técnicos estudiosos, preocupados com algum aspecto no qual suas não estão executando devidamente. Este aspecto tático pode ser defensivo ou ofensivo, utilização ou não de uma inovações tática dependerá praticamente das limitações a nivel tático da equipe e do potencial criativo do técnico. As funções em quadra podem exercer um papel de fator limitante das variações táticas quando se tenta realizar uma modificação no padrão de jogo desenvolvido até então pela equipe, este empecilho para uma técnico limitado pode fazer com que ele acredite serem impossíveis as alterações por ele propostas.

Neste instante é que o técnico deve de se utilizar de procedimentos pedagógicos para diagnosticar e realizar o processo de aprendizado progressivo das movimentações táticas que passarão a constituir o proprio padrão de jogo da equipe ou uma variação dentro do mesmo.

O principal problema é que se condicionou as equipes a terem um padrão de jogo e jogadas tidas como "ensaiadas" (ou movimentações especificas) só para determinadas situações no decorrer da partida (faltas, tiro de canto ou reposição lateral de bola). Isto faz com que se perca uma condição impar de promover o aumento da capacidade de variação tática da equipe. Pois se o técnico tiver treinado por exemplo pelo menos cinco movimentações táticas diferentes para situações corriqueiras durante a partida (saída de bola, tiro de meta, sofrendo marcação sobre pressão, zona ou mista, substituições táticas etc.) ou visando explorar um talento excepcional presente na equipe. Quando este trabalho é realizado muitas vezes, observamos um técnico que não "vibra" com sua equipe em quadra ou parece apático no jogo. Isto porque as modificações na maneira de atuar da equipe se processam com um único gesto do técnico ou com uma simples substituição.

O repertorio tático da equipe é tão variado que não necessita daquela visão estereotipada do técnico gritando a beira da quadra orientando ou reclamando com a sua equipe. Uma vez que a movimentação adequada para a situação em quadra já foi treinada e os atletas a executam sem a intervenção do técnico, bastando para este se necessário pedir o tempo técnico para efetuar as correções no padrão de jogo ou alguma falha na atuação de sua equipe.

Aqueles que assistiram os dois últimos jogos da seleção espanhola contra o selecionado brasileiro, perceberam uma mudança no modo de atuar da primeira em comparação a final do Mundial realizado na Espanha em 1996. Muito disso se deve ao fato do técnico espanhol ter analisado o padrão de jogo brasileiro, elaborado um padrão de jogo que anulasse os pontos fortes do adversário e atuasse explorando as deficiencias do mesmo. Tarefa até certo ponto facilitada pelo fato de apesar de ter mudado três vezes de treinador desde aquela final o padrão de jogo do selecionado brasileiro se manteve praticamente o mesmo.

Metodologia para construção do repertório tático

O primeiro passo para a construção de um repertório tático é a seleção por parte do técnico das movimentações que ele deseja ver sua equipe executando em quadra. Ele deve se certificar que os jogadores a sua disposição são ideais para execução das movimentações ( de nada adianta treinar as movimentações, que envolvem ações em velocidade pelas alas, se o ala não tem na capacidade física velocidade um dos seus pontos fortes ).

Depois da seleção deve-se começar a fase de "mecanização" da movimentação tática, para tanto o técnico tem de dispor de tempo hábil para tal tarefa, não serão dois ou três dias de treinamento que farão sua equipe realizar as movimentações pretendidas. O prazo minimo que aconselho são três a quatro semanas, realizando a "mecanização" da movimentação tática pretendida, mas sem repetir todos os dias as mesmas movimentações. O processo se desenvolverá da seguinte maneira:

Visualização;
Execução;
Racionalização;
Fixação.

Autor: Ailson Santana

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Contextualização Histórica do Futsal

Algo parece ser unânime para todos aqueles que se propuseram a transitar pela história do futsal: de que os primeiros passos aconteceram na década de 30 (evidentemente, nada parecido com o que vemos hoje; era mais um futebol jogado na quadra). Mas onde surgiu? Quanto à paternidade, existe certa discordância. Uma corrente defende que foi no Uruguai, mais precisamente na ACM de Montevidéu, onde o professor Juan Carlos Ceriani teria criado as primeiras regras. Essa corrente sustenta que alguns jovens brasileiros foram até lá e, em retornando, trouxeram aquelas. Outra corrente acredita que foi no Brasil, na ACM de São Paulo, onde fora praticado por outros jovens a título de recreação - posição sustentada, inclusive, pela Confederação Brasileira de Futsal (http://www.cbfs.com.br). No que pese a divergência, é inegável que os brasileiros são os maiores responsáveis pelo seu crescimento, expansão e organização.

Nas décadas posteriores, observa-se um crescimento vertiginoso da modalidade. O futebol de salão é praticado, divulgado (década de 40), reconhecido e regulamentado (década de 50). Surgem as Federações Nacionais (ainda na década de 50), a Confederação Sul-americana (década de 60), Brasileira e a Federação Internacional - FIFUSA (década de 70). O esporte ganha então o continente e o mundo, internacionalizando-se e despertando o interesse da FIFA em tê-lo sob seu domínio (na década de 80). No final desta última o Brasil (CBFS) filia-se oficialmente à FIFA (via CBF), que passa a ter uma Comissão responsável pelo futsal. A mudança não significou qualquer perda de autonomia da CBFS. Ao contrário, tornou-a ainda mais forte em todo o território nacional. Quem não gostaria de ter a poderosa FIFA como parceira? Basta lembrar o que ela fez pelo futebol!

Hoje, mais de 130 países são filiados à FIFA, e nos três últimos Campeonatos Mundiais, disputados na Espanha (1996), na Guatemala (2000) e na China (2004), tivemos uma demonstração da penetração da FIFA: houve cobertura da TV, que passou grande parte dos jogos, ao vivo, para muitos países; no último Mundial, inclusive, houve a participação de 16 seleções (países) representando os cinco continentes. Não para por aí: o futsal foi incluído no Pan-americano de 2007, no Rio de Janeiro, e se aproxima do seu maior objetivo, que é se tornar Olímpico. Aliás, por que o futsal não é Olímpico? Difícil de responder. Entre outros fatores ventilados, me parece que a necessidade de o futsal feminino ter de se expandir internacionalmente se tornou a mais pontual. Uma campanha bastante representativa (iniciada em 2003) para que o futsal se torne Olímpico, em 2012, é a da Federação Paulista de Futsal.

Abaixo, descrevo, década a década, as principais características da história da modalidade (pelo menos aquelas que eu pude abstrair das investigações que fiz sobre o tema). Notar-se-á o seguinte: até a década de 50 se jogava futebol de salão sem muito rigor, isto é, sequer havia uma concordância acerca das regras. A partir daí, com a uniformização das regras (o primeiro livro de regras data de 1956, redigido por Luis Gonzaga de Oliveira Fernandes) o esporte se desenvolveu de fato. Outro ponto merece atenção: se considerarmos o enlace com a FIFA, em 1989 (e a fusão futebol de salão/futebol de cinco), que projetou definitivamente este esporte em nível mundial, o futsal teria pouco mais de 15 anos (e a julgar pelo que encontramos no site oficial da FIFA está é a sentença). Mas a rigor mesmo, há toda uma história antes disso que não pode ser desprezada. Quando estive em Fortaleza, onde fica a sede da CBFS, os cearenses me deram uma definição interessante: para eles existe o futebol de salão. A FIFA é que o chama de futsal. Faz sentido. O fato é que havia uma necessidade de o esporte se transformar, se modernizar e isso foi muito bom e bem realizado. Com as alterações nas regras, o esporte apenas se transformou. A FIFA é bem-vinda, pois lhe deu visibilidade internacional.

Década de 30: surge o futebol de salão.

. Discordância sobre a paternidade;

. Uma corrente defende que o Futebol de Salão surgiu no Uruguai; as primeiras regras foram redigidas em 1933, pelo Prof. Juan Carlos Ceriani e fundamentadas no futebol (essência), basquete (tempo de jogo), handebol (validade do gol) e polo aquático (ação do goleiro); a partir de um curso na ACM de Montivideo, que contou com a presença de representantes das ACMs de toda a América Latina, entre eles alguns brasileiros (João Lotufo, Asdrúbal Monteiro, José Rothier) cópias das regras foram distribuídas e, posteriormente, trazidas e divulgadas no Brasil;

. Outra corrente, defendida por Luiz Gonzaga Fernandes, defende que: o Futebol de Salão surgiu no Brasil, no final de 1930, na ACM (SP) onde era praticado por jovens a título de recreação; esses jovens são considerados os precursores do esporte; admite que se jogava futebol em quadra também no Uruguai, mas que não passava de "autêntica pelada'; coube ao Brasil as primeiras normas e regulamentações; o autor é considerado aquele que primeiro organiza e regulamenta a modalidade esportiva de maneira a permitir a prática uniforme;

. Em 1936, no Rio de Janeiro (Brasil), Roger Grain publicou normas e regulamentações para a prática do Futebol de Salão, na Revista de Educação Física, no. 6;

. As 1a.s regras surgiram no Uruguai, cabendo aos brasileiros o crescimento, divulgação e ordenação do Futsal.

Década de 40: prática e divulgação do futebol de salão.

. Através das ACMs do Rio e São Paulo o Futebol de Salão ganha popularidade, chegando aos clubes recreativos e às escolas regulares;

. Em 1942, a prática do Futebol de Salão por adultos é proibida em todas as ACMs Sul-Americanas, pelo alto grau de indisciplina. A ACM (SP) foi a única que desobedeceu;

. Nessa década, a Comissão de Futebol de Salão da ACM (SP) realiza vários estudos e observações sobre as regras do esporte, com o objetivo de aperfeiçoá-las;

Década de 50: regulamentação e reconhecimento do futebol de salão e o nascimento das federações nacionais.

. Em Abril de 1950 são redigidas pela Comissão de Futebol de Salão da ACM (SP), as novas regras do esporte;

. Em 1954 surge a Liga de Futebol de Salão do Departamento de Extensão da ACM, responsável por um campeonato aberto de Clubes e Associações;

. Surgem as Federações: Carioca (54), Paulista (55), Gaúcha (56), Cearense (56) e Paranaense (56);

. Em 1956, Luiz Gonzaga de Oliveira Fernandes lançou a 1a regra oficial de Futebol de Salão do mundo, adotada posteriormente pela FIFUSA;

. Em março de 1958 - Confederação Brasileira de Desportos (CBD) oficializa a prática do Futebol de Salão, fundando o Conselho Técnico de Futebol de Salão, com a filiação das federações e uniformizando as regras;

. 1959 - I Campeonato Brasileiro de Seleções, em São Paulo.

Década de 60: expansão da modalidade pela América Latina.

. O Futebol de Salão ganha o continente, surge a Confederação Sul Americana de Futebol de Salão, 1969;

. São promovidos os primeiros campeonatos Sul-Americanos de Clubes e Seleções;

. É promovida a I Taça Brasil de Clubes, 1968.

Principal característica da década de 70: o surgimento da FIFUSA e da CBFS

. O Futebol de Salão ganha o mundo, surge em 25/07/71 a Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA), fundada no Rio de Janeiro, tendo João Havelange como 1o presidente;

. O Futebol de Salão começa a despertar o interesse da FIFA, que procura a FIFUSA para absorver o esporte, mas com insucesso;

. Com a extinção da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) surge em 15/06/79 a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS), com sede em Fortaleza (CE). O 1o presidente foi Aécio de Borba Vasconcelos;

Principal característica da década de 80: a internacionalização do futebol de salão e o surgimento do Futsal.

. A FIFUSA passa do Rio de Janeiro para São Paulo;

. São promovidos os 1os. Pan-Americanos (1980) e Mundiais (1982) de Clubes e de Seleções;

. A FIFUSA organizou 03 Campeonatos Mundiais: 1982 (Brasil), 85 (Espanha) e 88 (Austrália);

. Em 23/04/83 a FIFUSA autorizou a prática do Futebol de Salão feminino;

. A FIFA promove, em janeiro de 1989, o 1º Campeonato Mundial (1ª Copa do Mundo) de Futsal, na Holanda;

. Em 19/01/1989, reúnem-se, em Zurich (SUI), uma comissão da FIFUSA e outra da FIFA e é criada uma Comissão de Integração, cuja maior finalidade era discutir a unificação do futebol de salão (FIFUSA) e do futebol de cinco (FIFA);

. Em 14/03/1989, em uma nova reunião, na mesma cidade, por acordo da Comissão, a modalidade passa a ser regida em nível mundial por uma comissão permanente da FIFA; nesta reunião, inclusive, a FIFA mudou no artigo 27 dos seus estatutos o seguinte: chama-se futsal o que antes era chamado de futebol jogado em superfície reduzida;

. Em 05/09/1989, é realizada uma nova reunião em Zurich: fica acertado que a FIFUSA, de comum acordo, se dissolveria e a FIFA responderia pelo futsal;

. Em 23/11/1989, realiza-se em São Paulo (BRA) uma reunião da FIFUSA com 19 países afiliados para aprovar o decidido em 05/09/1989, isto é, a extinção da FIFUSA e a nomeação da FIFA como a nova comandante do futsal. Para surpresa de todos e liderados pelo paraguaio Rolando Alarcón, membro da Comissão de Integração e, por isso, um dos que concordara com o fato de a FIFA passar a reger o futsal, 12 países votaram contra a deliberação. O Brasil, representando a vontade de suas federações, votou a favor;

. Em 02/05/90, o Brasil afasta-se oficialmente da FIFUSA; esta passa a ser apenas uma sigla para a Confederação Brasileira de Futsal.

Principal característica da década de 90: a afirmação do Futsal

. A FIFA promove os mundiais de 1992 (Hong Kong), 1996 (Espanha) e 2000 (Guatemala);

. Surge, no Brasil, em 1996, a Liga Nacional de Futsal;

. Alguns dados que deverão, ano a ano, serem superados: o Brasil possui 5000 equipes de futsal, mais de 180 mil de atletas federados, 27 federações, 1672 clubes, mais de 350 atletas no exterior; no mundo, mais de 70 países praticam o futsal; depois do Brasil, os países com maior número de participantes são: Espanha (1 milhão), República Checa (300 mil), Itália (210 mil) e Austrália (120 mil).

. O futsal é o esporte com o maior número de praticantes no Brasil;

Principal característica da década atual: ?

. Em 2001, reúne-se, pela primeira vez, uma Seleção Brasileira de Futsal Feminino;

. Em 2002, é promovido o I Campeonato Brasileiro de Seleções de Futsal Feminino. São Paulo foi o campeão. Paraná, o vice. Em 2004, São Paulo foi bi;

. Em 2004, a FIFA promove, na China, o seu 5º Campeonato Mundial. A Espanha é bicampeã. O Brasil, pela primeira vez, fica de fora de uma final de Copa do Mundo;

. O futsal é incluído no Pan-americano de 2007, Rio de Janeiro;

. Boa parte dos jogadores brasileiros que se destacam ou com acesso à dupla cidadania é contrata por equipes de todo o mundo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Tempo/ Espaço 2

TEMPO E ESPAÇO NO FUTSAL
Parte II

Factor espaço-tempo está dependente nas seguintes variáveis:
- A zona de lançamento de bola e a área onde quero transportar a bola
- As competências técnicas do jogador que controla a bola
- O tempo de desmarcação dos parceiros de equipa quando estes reclamam a posse de bola
- O comportamento do adversário que está a marcar o meu colega de equipa
- O comportamento de todos os adversários que estão mais próximos do possuidor da bola

Numa situação de defesa, o nosso primeiro objectivo é limitar o tempo e espaço de jogo, tanto para o adversário com posse de bola, como para a equipa rival inteira. Quase sempre, se conseguirmos condicionar o tempo e espaço de jogo do oponente com posse de bola, então, automaticamente alteramos o sentido de jogo e os fins deste.
Ao mencionar anteriormente este factor espacio-temporal, devemos considerar e não esquecer que o jogador é sempre o protagonista em todos os momentos e situações de jogo: É ele quem decide o que fazer, e como fazer, num determinado instante, em função de preceder e interpretar a situação em causa. Continuadamente, é ele quem adquire os comportamentos decisivos.
Se o jogador fosse um simples “executor” de ordens e de esquemas; se o jogador fosse um sujeito passivo nas tomadas de decisões, então, teríamos alguns problemas inesperados (programas imprevistos nos treinos propostos pela equipa técnica). Situações desconhecidas onde o atleta seria apanhado de surpresa durante a partida. Logo, dentro de campo, o jogador teria falhas nas suas tomadas de decisão e colocaria em dificuldade a compreensão dos seus comportamentos para os seus companheiros de equipa. Tudo isto causaria uma falha de coordenação com o restante grupo. Uma falta de comunicação pode colocar a equipa num desaire, principalmente, quando esta não tem a posse de bola a seu favor.
É essencial que o jogador enriqueça diariamente o seu nível cultural da modalidade (o futsal) e, ao mesmo tempo, o seu conhecimento técnico - táctico. Isto porque ajuda aperfeiçoar o seu ponto de vista crítico face a situações que possam surgir e, daí, reagir correctamente com a sua percepção espaço - temporal.
O desportista deve estar consciente do que está a acontecer durante o jogo e deve saber, racionalmente, como lidar com um passe/lançamento. Tudo isto leva a um acréscimo do seus conhecimentos do futsal. Qualquer movimento físico é sempre consequência de um pensamento prévio: uma ideia produz um acto.

Se não o treinador, quem seria responsável pela indução de conhecimentos de controlo, finalidades e objectivos para os atletas?
Quem deve interpretar estes aspectos com o intuito de aumentar a actividade motora?
Quem deve amontoar o feedback dos jogadores?
Obviamente, o treinador. Estes são, portanto, as suas tarefas primordiais.
BY: Pedro Costa

sábado, 26 de junho de 2010

Tempo e Espaço no Futsal I

TEMPO E ESPAÇO NO FUTSAL
Parte I
Na prática do Futsal, quer no individual quer no colectivo, tem sempre em conta dois factores importantes: tempo e espaço.
Todavia, os factores tempo e espaço não são apenas valores absolutos para um treinador, pois ambos têm de ser interpretados como valores relativos, ou seja, serem considerados como sentimentos espaço-tempo dos próprios jogadores durante um determinado momento ou situação de jogo.
Qual a percepção espaço - temporal que o atleta sente num determinado momento ou situação de jogo? Estes sentimentos estão dependentes de que? Quais as eventuais propostas para resolver estes sentimentos vindos de um indivíduo e de que forma são aplicados?
Como ajudar um jogador a integrar-se nos comportamentos dos colegas de equipa? E, ao mesmo tempo, como prever essa percepção espaço - temporal que o atleta possa obter num determinado momento ou situação de jogo?
Este sentimento espaço - temporal depende de duas percepções variáveis:

1 - Habilidades/Competências espaço-tempo
- Onde e como posiciono o meu corpo perante a bola e perante o desenrolar do jogo
- O movimento e posição do adversário
- A bola: Onde está? Está em posse de quem? Qual o seu trajecto?
- Os meus colegas de equipa: Quantos são? Onde estão? O que estão a fazer?

2 - Objectivos que coloco a mim mesmo no Futsal
- Qualidades técnicas
- Coordenação
- Competências físicas
- Conhecimentos tácticos

Qualquer sentimento, emoção, percepção e/ou oportunidade possuído pelo atleta, num determinado momento de jogo, não é planeado nem tão pouco previsto pelo treinador, mas são factores decisivos e básicos para uma performance do próprio jogador bem como da equipa durante o jogo. Daí que, o técnico deve ser sempre observador, analista, avaliador, e considerar aqui os factores espaço-tempo, em forma para esquematizar um método de trabalho (treino), para os jogadores individualmente e no seu colectivo como grupo de trabalho.
Embora seja resolvido esta questão, de seguida surge outro: Que tipos de trabalhos podemos aplicar aos jogadores? Como realizar esses trabalhos (treinos) e obter feedback por parte dos atletas? Qual a duração e momento certo para realizar os mesmos com a equipa no seu colectivo bem como em sessões individuais?

Numa situação de jogo, ambos os conceitos (tempo e espaço) são relativos e não, como referido anteriormente, concretos. Os atletas têm a presença de ambos num determinado momento ou situação de jogo. No entanto, durante esse mesmo momento ou situação de jogo, outro jogador (da mesma equipa) pode, por ventura, agir de maneira diferente. Qual o tempo de jogo? Qual o espaço útil à minha volta no campo? Quanto espaço utilizado referente aos meus movimentos?
Todavia, não podemos ter a total certeza que, numa situação de jogo idêntica à anterior, o mesmo jogador tenha a mesma percepção e comportamento prestado anteriormente.
O objectivo crucial do técnico é melhorar e transmitir totalmente a compreensão do factor espaço - temporal aos seus jogadores, quer no colectivo, quer individualmente. Em qualquer das circunstâncias, a equipa, no seu conjunto, ajuda o jogador a melhorar e tornar a sua tarefa mais simples no que diz respeito às suas atitudes e comportamentos em campo. Eis dois exemplos:
1) Relativamente com a posse de bola – quando em tempo bem aproveitado, eu consiga desmarcar-me do meu oponente e daí facilmente o meu colega (em especial com poucas capacidades técnicas), com a posse de bola possa executar a tarefa. Senão, a minha equipa sentirá dificuldades no controlo da posse de bola num determinado momento de jogo;
2) Sem a posse de bola – se eu providenciar uma jogada defensiva com o meu companheiro, quando este está precisamente perante uma situação de “dribbling” do adversário. De certo, irei condicionar o espaço do adversário e, ao mesmo tempo, o meu colega de equipa posicionar-se-á no meu espaço na altura do passe. Ou seja, poder-se-á marcar corporalmente o oponente em todos os seus movimentos, dentro das quatro linhas.

Em síntese: Sempre que haja discussões em relação a sistemas de jogo, factores tácticos ou em situações específicas de jogo, é necessário a concentração somente no tempo e no espaço onde, por vezes, é possibilitado no comportamento dos adversários.

Saber quem acertou ou quem errou não é relevante, pois apenas numa situação de passe ao longo de uma jogada é possível feedback. Independentemente da situação em causa, o jogador pode “roubar” o tempo e espaço do jogo ao seu adversário e dominar a posse de bola, ou não, deste.
Se, porventura, eu predominar tal posição, posso superar uma próxima situação de jogo, isto porque o tempo e espaço de jogo pode alterar-se.
by: Pedro Costa

terça-feira, 22 de junho de 2010

Táctica

Táctica

Necessidade de um novo modelo.

Com a realização deste artigo pretende-se esclarecer algumas questões relativas à “Periodização Táctica”, bem como descrever as premissas que a distinguem das três tendências anteriormente referidas. Assim, visa-se, fundamentalmente, a sistematização de um conjunto de conhecimentos acerca do planeamento e periodização do processo de treino em Futsal.

Como resultado de uma pesquisa conclui-se que as premissas da “Periodização Convencional” diferem das da “Periodização Táctica”. Assim, enquanto que na primeira é a competição que “cria” o treino e este adquire contornos algo “abstractos”, devido à não definição de um modelo de jogo e respectivos princípios, na segunda verifica-se exactamente o contrário. Do mesmo modo, na primeira é dado especial realce à maximização das capacidades condicionais (ênfase na dimensão física), enquanto que na segunda é enfatizado o “jogar bem Futsal”, dando-se realce ao desenvolvimento dos princípios do modelo de jogo (ênfase na dimensão táctica). Na primeira, é dada grande importância ao atleta individual, sendo a época dividida em períodos (nos quais é considerada a preparação geral e especial e uma estreita relação entre volumes e intensidade das cargas) com o intuito de adquirir a forma durante as competições mais importantes. Na “Periodização Táctica” a equipa (colectivo) é o mais importante, sendo preconizado um microciclo padrão para toda a época, no qual a especificidade e as intensidades máximas contribuem para a criação de regularidades ao nível da forma de jogar pretendida. Por fim, verificamos que a terceira tendência (oriunda dos país latino-americanos) é a que mais se aproxima das premissas da “Periodização Táctica” e que esta última é passível de ser aplicada em todos os desportos colectivos e individuais, bem como nos escalões de formação de Futsal.

Para se poder programar e periodizar é necessário a construção de um Modelo de Jogo que terá uma relação de interdependência com os seguintes factores:

Modelo de jogo do treinador, capacidades e características dos jogadores, princípios de jogo (ataque; defesa e transições), organizações estruturais (sistema táctico e estratégia), organização funcional (como se articulam os princípios)

Para se falar de Periodização Táctica implica:

1- Que a dimensão táctica seja entendida como uma cultura de jogo

2- A definição do Modelo de Jogo do treinador. Um projecto consciente da sua concepção de jogo

3- Que o Modelo de Jogo adoptado oriente todo o processo de periodização e planificação do treino

4- Que as restantes funções (técnica, física, cognitiva e psicológica) surjam em função das exigências do Modelo de Jogo

5- A exponenciação do PRÍNCIPIO DA ESPECIFICIDADE. Uma Especificidade/Modelo de Jogo e não uma Especificidade/Modalidade


Os meios de operacionalizar o Modelo de Jogo são os exercícios Específicos. Exercícios desenvolvidos com intensidade de concentração, de acordo com o modelo de jogo adoptado. Estes, serão o meio mais eficaz para adquirir uma forte relação entre a mente e o hábito. Os exercícios específicos é que nos vão levar a jogar segundo os princípios preconizados no modelo de jogo articulando-os e direccionando-os.


A operacionalização do treino reclama a utilização de exercícios específicos desde o 1º dia de trabalho (Carvalhal, 2003).


Só existe Especificidade quando:

existir uma constante relação entre as componentes Táctico-Técnicas individuais e colectivas, psicocognitivas, físicas e coordenativas em correlação permanente com o MODELO de JOGO adoptado pelo treinador e respectivos princípios que lhe dão corpo (Oliveira, 1991).

A operacionalidade da Especificidade deve assumir várias dimensões:

٭ Dimensão Colectiva ( relação 4 jogadores + GR)

٭ Dimensão Grupal ( relação 2 ou 3 jogadores)

٭ Dimensão Individual (1 jogador)

O Cumprimento do Princípio da Especificidade só é atingido na sua magnitude quando durante o treino:

* os atletas entenderem os objectivos e as finalidades

٭ os atletas mantiverem um elevado nível de concentração durante toda a situação

٭ o treinador intervier adequada e atempadamente perante a situação

Planificação “Táctica “ Semanal

Preocupações:
1. Tendo como fundamental na Planificação “Táctica” Semanal, o modelo de jogo, o sub-modelo táctico-estratégico, etc., é importante atender à dinâmica das cargas / esforço e recuperação ( 1 ou 2 jogos semanais). A lógica da carga fisiológica / biológica, se possível deve ser mantida sem grandes oscilações;

2. Lógica evolutiva do Modelo de Jogo Adoptado;

3. Periodização previamente realizada;

4. Jogo realizado: aspectos positivos e aspectos negativos;

5. Jogo a realizar:

- aspectos positivos e negativos da equipa adversária;

- características individuais dos adversários;
- estratégias a adoptar.

Planificação “Táctica “ Diária
Preocupações:

1. Ter sempre em atenção a periodização e a planificação semanal (aos níveis táctico, técnico, físico, cognitivo e psicológico) sendo importante gerir a dimensão física no processo;

2. Definir objectivos concretos e direccionados;

3. Escolher criteriosamente os conteúdos;

4. Promover a interacção da intensidade, dos respectivos volumes, e da recuperação, relacionando-os com a capacidade de concentração necessária;

5. Seleccionar e direccionar as estratégias de acção para a rentabilidade e eficácia do treino;

6. Ser suficientemente aberto para alterar o que for necessário

Como conclusão, o principio da Especificidade é o fundamento teórico da Periodização Táctica, e a principal preocupação é a constante evolução do Modelo de Jogo Adoptado em consequências de melhorar a capacidade de jogar Futsal.

domingo, 20 de junho de 2010

A Estrutura da Sessão de Treino

A Estrutura da Sessão de Treino

Os objectivos previamente definidos pelo treinador só poderão vir a ser alcançados através da vivência prática de um conjunto de exercícios correctamente inter-relacionados e organizados em diferentes sessões de treino, os quais se distribuem racionalmente ao longo de cada semana e de toda a época desportiva.

A Estrutura da Sessão de Treino
A sessão de treino tem uma duração muito variável e deve conter três partes distintas:
Parte preparatória ou aquecimento;
Parte principal ou fundamental;
Parte final ou de retorno à calma.



Parte preparatória ou aquecimento

É a parte inicial e indispensável de todas as sessões de treino e de todas as competições em que o atleta vai intervir. É constituído por um conjunto de exercícios que têm por objectivo preparar o atleta para os esforços maiores que a seguir irão realizar-se e evitar o risco de lesões.

Recomendações Práticas:O aquecimento deve ser progressivo : deve iniciar-se com uma intensidade fraca que aumentará gradualmente à medida que as diferentes estruturas do organismo se adaptem ao esforço. Evita-se, assim, o perigo de uma lesão ou de uma grande fadiga inicial.

O aquecimento deve ser prolongado: nunca deverá ser inferior a 15/20 minutos, pelas razões supra indicadas;

O aquecimento deve conter duas partes distintas mas complementares: o aquecimento geral e aquecimento específico:
Aquecimento geral: é a fase inicial e pode conter, por exemplo, uma parte de exercícios de pequena amplitude e de intensidade moderada, para a activação orgânica e alguns exercícios de alongamentos estáticos para prevenir o aparecimento de lesões;
Aquecimento específico: segue-se ao aquecimento geral e visa preparar o atleta para as situações concretas que vai encontrar a seguir.
Exemplo: se vai treinar velocidade deve fazer várias acelerações com intensidade crescentes; se vai treinar força, deve mobilizar os músculos que a seguir irá solicitar mais intensamente.



Aquecimento para o jogo
Deve obedecer a todos os princípios metodológicos indicados anteriormente, o que significa que, de início, deverá correr e realizar exercícios de alongamentos, após o que deverá exercitar as diferentes situações que o jogo contém.

Recomendações Práticas:•Deve iniciar-se cerca de 40 minutos antes do início da competição;
•Deverá estar terminado 10 minutos antes do início desta;
•Nesta fase, o praticante deverá concentrar-se e procurar manter o seu aquecimento, realizando alguns alongamentos;
•Nunca deverá ser demasiado intenso, o que poderia retirar a capacidade de resposta, sobretudo no início do jogo. Este princípio é tanto mais válido quanto maior for a preparação física dos atletas;
•Quando estes, após uma longa viagem, se sentem muito fatigados e não têm grande vontade de correr, necessitam de fazer um aquecimento mais forte que o habitual. Devem vencer essa inércia no aquecimento e nunca transportá-las para o jogo.
«Um bom aquecimento é uma condição indispensável para que os atletas possam começar bem a competição e um mau começo pode comprometer irremediavelmente o seu desempenho.»



Parte principal ou fundamental



Tem esta designação por ser nesta parte que se concretizam os objectivos previstos para a sessão de treino. Estes devem ser correctamente escolhidos e colocados adequadamente na estrutura organizativa da parte fundamental da sessão de treino. As outras duas partes (aquecimento e retorno à calma) são condicionadas e determinadas pelo conteúdo desta.



Recomendações práticas:



- O aperfeiçoamento da técnica, da velocidade de deslocamento ou da velocidade de reacção deverão ser trabalhadas logo a seguir ao aquecimento, isto é, sem fadiga;
- O treino da força pode ser realizado logo a seguir;
- O treino da resistência, ao contrário da prática tradicional, deverá ser preferencialmente realizado no fim da sessão;
- As anteriores indicações metodológicas pressupõem uma visão sectorial de cada capacidade motora, contudo, no jogo, todas estão integradas, pelo que a sua rentabilização exige que por vezes as técnicas e a velocidade sejam também solicitadas em situações de fadiga, tal como sucede na competição;
- Se pretendermos melhorar as resistências específicas, a duração desta fase deverá ser superior à do jogo ou, caso seja menor, deverá ter uma intensidade superior e um menor número de pausas;
- Se pretendermos melhorar a velocidade, a duração desta fase poderá ser inferior à da competição, mas com uma intensidade superior e um aumento de duração das pausas.



Parte Final ou de Retorno à Calma



Durante um jogo ou uma sessão de treino há uma grande activação de diferentes funções orgânicas e, por vezes, surge um estado de fadiga mais ou menos acentuado. Uma passagem súbita para uma situação de repouso não é conveniente e poderá comprometer o processo de recuperação. Se o aquecimento prepara gradual e progressivamente os atletas para o esforço que a seguir vão desenvolver, esta fase procura que o organismo transite gradualmente para a situação de repouso.
Todos os que já praticaram qualquer actividade física já viveram, certamente, a situação em que a seguir a um esforço e depois de tomar banho, continuam a transpirar, o que significa que o organismo ainda não retornou à calma.



Recomendações práticas:



Se existir uma grande situação de fadiga, deverá começar por umas corridas lentas e terminar com a realização de exercícios de alongamentos estáticos para os grupos musculares mais solicitados, que, no caso dos futebolistas, são os membros inferiores. Estes exercícios só deverão terminar quando os atletas de sentirem recuperados;

•Se existir uma fadiga localizada, devida, por exemplo, à realização de exercícios de musculação, há que descontrair essa zona, realizando alongamentos.
•O tempo de recuperação depende de uma adequada ingestão de líquidos durante e após o esforço, assim como da posterior alimentação.
•Devem ser realizados exercícios de fraca e regressiva intensidade.
As características desta parte da sessão de treino são determinadas pela especificidade do trabalho realizado na parte fundamental

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Atitudes ofensivas/ defensivas face a situações de superioridade/inferioridade

Atitudes ofensivas / defensivas face a situações de superioridade /inferioridade

1 X 0

Ofensivamente
Defensivamente

O jogador ataca imediatamente o guarda-redes e simula sempre antes de rematar;

Se for possível espera por apoio de colegas para finalização.


O guarda-redes tentar adivinhar intenções.

2 X 0

Ofensivamente
Defensivamente

O jogador portador da bola ataca o g.r., e passa ao jogador livre;

O jogador livre deverá estar sempre atrás da linha da bola.


O g.r. deverá colocar-se perto da linha da baliza para interceptar o passe ou defender o remate ao 2º poste.

2 X 1

Ofensivamente
Defensivamente

O jogador portador da bola ataca o defensor e passa ao jogador livre;

Jogador que executou o passe deverá dar solução ao colega (desloca-se para o 2ºposte ou fica a dar apoio).


O g. r. ataca imediatamente o jogador livre assim que este recebe a bola;

O defensor fica a marcar o jogador sem bola cortando a linha de passe para o jogador com bola, ou recupera para a baliza dando protecção.

3 X 1

Ofensivamente
Defensivamente

O jogador com bola sempre no corredor central;

Após passar a bola fica a dar apoio;

Se a bola foi para a ala esquerda o jogador da ala oposta ocupa o 2º poste;

Jogador com bola terá duas soluções: jogar para trás no apoio ou passe para o 2º poste.


O defensor deverá temporizar o máximo de tempo possível para dar tempo à rápida recuperação dos restantes colegas de equipa.


3 X 2

Ofensivamente
Defensivamente

O jogador com bola sempre no corredor central;

Após passar a bola a um dos colegas fica a dar apoio;

Se a bola foi para a ala esquerda o jogador da ala oposta ocupa o 2º poste;

Jogador com bola terá duas soluções: jogar para trás no apoio ou passe para o 2º poste.


Os dois defensores deverão defender à zona e o g.r. tenta proteger o 2º poste;